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domingo, 26 de novembro de 2017

- coração Errante

[poema alterado e publicado no bloguezin do gusta]

Os lençóis espalhados pelo chão da sala
Dizem que você esteve aqui na noite passada.
... uma vez mais uma desculpa para que eu fosse visitá-la
e então fugir, novamente, no meio da madrugada.

Você sabe que sei onde posso encontrá-la,
mas insiste nesse jogo que não leva a nada.
E quando não participo, me liga desesperada
e desabafa em prantos sobre o medo de eu abandoná-la.

Não posso ser responsável pela vida que você levava;
ser seu altar somente quando a solidão frustrá-la.
Mas há algo que preciso confessá-la:
A impressão de conforto pode até vir das minhas palavras

mas o sentimento só pode ser registrado se vivido
e enquanto você fugir do amor, não poderá ser amada.

domingo, 22 de outubro de 2017

- lembranças de Você de Dentro

[poema alterado e publicado no bloguezin do gusta]

A lembrança do sentimento vai além da palavra
sobrepõe os fatos, as simulações, os argumentos,
pois tudo se registra e se grava
e o play é acionado por um botão cá dentro.

Cenas de quando você era reticente e brava,
somam-se com o movimento do seu cabelo ao vento.
As roupas futeis que você usava
combinam com nossas fotos na parede do apartamento.

A comida ruim que eu dizia que você cozinhava,
harmoniza bem com as luzes apagadas, as velas e o vinho tinto.
Os filmes toscos de comédia romântica que você assistia e chorava
hoje são a minha bíblia para os relacionamentos.

As letras das músicas piegas que você escutava,
coincidem com as nossas situações e acontecimentos.
As pessoas que eu andava e que você não gostava
foram as mesmas que ajudaram com o fim do nosso casamento...

e tudo que eu dizia que não gostava ou que não me lembrava
hoje sobra na minha vida, no meu pensamento.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

- acessórios da Consciência

[poema publicado no bloguezin do gusta]

O substrato depressivo da consciência
obedece os desfrutos daquilo que julgamos aleatório;
as demonstrações de afeto que se revelam em posturas de decência
são, na verdade, disfarces tristes e simplórios
do excesso de carência, da falta de amor.


Ignorar essa verdade com os disfarces de ausência
também não cura a ferida do sentimento sem invólucro,
e não aumenta a fé na crença... - um pressuposto ilusório -
mesmo que a crença seja a dor.
Dor... um mero acessório.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

- digressão de noites alvas

Daqui do alto da pirâmide de vidro,
assisto a torre pulsar suas infinitas cores.
E mesmo no negro da noite, eu reflito
sobre nossos sofrimentos e nossas dores

e, nesses momentos, no olhar distante, eu insisto
em confessar como verdade o que pensam ser os rumores.
Rumores que sufocam nossos desejos aflitos
e instauram em nós a culpa e seus temores.

As vezes, acho que ficaremos loucos com tudo isso,
mas, ainda sim, somos os únicos responsáveis e autores
pelos sentimentos sóbrios e versores
que podem ainda ser confundidos como vícios

... apesar de eu pensar que somos, na verdade,

apaixonados...
... sonhadores.

domingo, 6 de dezembro de 2015

- adeus?

[poema alterado e publicado no bloguezin do gusta]

Á noite, quando fecho os olhos
me deparo com os seus...
Se sou responsável por aquilo que escolho
Por que devo então dizer "adeus"?

Me apego ao movimento do relógio...
Será que o destino nos esqueceu?
Esses fragmentos de sentimento que recolho
ainda permanecem nos meus poros

... será que também estão nos teus?

- 1%

[poema modificado e publicado no bloguezin do gusta]

Quis me esquecer do tempo,
me desfazer dos pensamentos e das suas miragens,
mas ao lançar o olhar para dentro de mim mesmo
me deparei com sua imagem
e não tive coragem
de sufocar esse sentimento
que me pediu passagem.
Senti estremecer o peito
em fantasias e viagens
- Apesar de todo sofrimento...

Tudo o que sinto, tudo o que vejo
não representa nem 1%
do tamanho da vontade de ter você
ao meu lado.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

- abre aspas




No acalanto da alma
reside todas as respostas
olhe para dentro: busque a calma

um dia também se fecha
a ferida hoje exposta

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

- decisão atemporal

Sinto seu cheiro nas palavras que escrevo
o perfume exala em forma de rima
Sinto seu gosto nos elixires que bebo
e a ressaca é mais forte do que se imagina

Vejo sua forma nas tintas e nos pincéis que escolho
você é meu tema recorrente, minha obra-prima
Vejo sua alma no mirar de seus olhos
e desvendo nossos segredos em sua retina

Sinto sua presença em lugares que vou, em coisas que faço
você me subtrai toda sensação de tempo e de espaço
Sinto que você é meu azar, minha sorte e minha sina
e o nosso amor oscila sempre entre o apogeu e a ruína

Sinto que sabes o que verdadeiramente penso
você guarda pra si a nossa dúvida e nosso 'sofrimento'
Sinto que um dia nos libertaremos
mas é você quem vai decidir sobre o futuro que teremos

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

- náufrago de mim mesmo

A memória aquiescida
por fantasias reais
de uma alma ferida
já sem sinais vitais

pela oportunidade perdida
por se precipitar demais
e não encontrar a saída...
- A não ser voltar atrás

O que se faz com a vida
quando existem sinais
de uma paixão escondida
mas que é forte demais?