segunda-feira, 29 de abril de 2019

palavras são chistes

[poema publicado no bloguezin do gusta]

me esgotei
das palavras que disse
das palavras que li
e por isso me calei

fui pra longe,
encontrar o que perdi
encontrar um pouco mais
de mim

mas a verdade
é que nada achei
mesmo que por muito brigasse
ou insistisse

e já prestes a desistir,
fechei meus olhos, triste,
e, no vazio da mente,
despertei

agora vi e sei:
palavras são chistes
não se conectam ao espírito
e distorcem a lei.

sábado, 27 de abril de 2019

ser maquinal

[poema modificado e publicado no bloguezin do gusta: ser maquinal (I): dicotomia de viver e existir e ser maquinal (II)

Maquinal como deve ser, a experiência de existir
de estar na presença do presente e não conhecê-lo, não senti-lo.
Daí se mover, feito máquina, para se esgotar, se quebrar, se exaurir.
na busca do novo mais novo, mais disso, mais daquilo outro.

E se perder nas peças que tentam substituir a vida de verdade
que é se emocionar e sentir.

looming be

[poema publicado no bloguezin do gusta]

oh the laziness within
so sacred and yet so null
vague as a labyrinth
echoing lull voices of me.

dabbling as a paranoid
in a mind field 'bout to sink-in
drifting myself into the void
and the lapses are looming.

i blame idleness, you see
but in the end it is just this:

the chaotic sense of being.

sexta-feira, 26 de abril de 2019

your leg kiss

[poema publicado no bloguezin do gusta] 

hidden in the vapours
of shadows and misery
addicted to your errors
stuck, where I do wanna be

love all your memories
the feelings you crave in me
but you loathe my loneliness
killing it with your leg kiss

say "once more with feelings"
licking with backlash of intensity
now, we are both quivering
and I am happy you have the keys



quarta-feira, 16 de maio de 2018

Corpos Sem Nome

[poema publicado no bloguezin do gusta]

A julgar pela aparência dos corpos nus,
o templo há muito tempo foi abandonado.
O cheiro da carne e a erupção da derme em pus...
tão visceral que precisou ser lacrado e sepultado.

Portas e janelas removidas
para que todos fossem gentilmente empilhados...
O cheiro de morte agora se intensifica
com a falta de espaço e luz.

Não há mais identidade nem história
nesses seres desumanizados...
que somente podem ser reconhecidos
pelos coveiros vermes e urubus.